quinta-feira, 9 de maio de 2013

o caminho do meio...


 
O caminho espiritual verdadeiro exige um tanto de concentração e atenção para observar no dia a dia, em pequenos sinais, e nas nossas relações, os indicadores de que alguma coisa pode ser modificada ou melhorada em nossa maneira de agir. Quando alguma coisa dá errada, e tudo toma um rumo que não esperávamos, e nos entristecemos, é hora de olhar para trás e identificar que atitudes geraram o que aconteceu.

Muitas vezes a nossa falta de comunicação gera um não entendimento das nossas atitudes. Ninguém é obrigado a pensar igual, mas infelizmente ainda precisamos verbalizar as nossas intenções e a realidade do que vivemos, pois não chegamos ao grau da telepatia. Algumas vezes evitamos o confronto de ideias mesmo sem saber o que esse encontro geraria. Assim evitamos também o caminho do meio, que é o caminho do equilíbrio. Cabe lembrar que intolerância e intransigência também geram intolerância e intransigência, trazendo um desequilíbrio que desgasta a todos.

Sidarta Gauthama, o Buda, viveu um tempo distanciado das misérias humanas, pois essas foram escondidas de suas vistas, para poupá-lo de um crescimento espiritual que só se manifestou com o questionamento dessas imperfeições através do sofrimento. Sofrer o que o outro sofre, mesmo não sendo necessário, é o que nos torna humanos conscientes de nossas limitações. Então o sofrimento pode nos mostrar o caminho do sábio, o caminho do meio.

Buda conheceu a riqueza em ilusão, e a extrema abnegação através dos jejuns em nome da efetiva iluminação e em memória dos que passam fome. Mas foi no caminho do meio, nem tanto mais nem tanto menos, que encontrou as respostas que esperava e que hoje trazem luz a milhões de seguidores do budismo como uma filosofia de vida.

Assim, não podemos nós pensarmos que encontraremos nossa iluminação espiritual, ou ao menos uma clareza das ideias e do sentido da nossa vida, em algum ritual de êxtase, ou ainda na negação de observar e compreender a nossa realidade imediata, no aqui e agora, com as pessoas com quem convivemos e que constroem junto conosco uma realidade.

Que sejamos sempre responsáveis com as realidades que podemos construir, respeitando o sagrado que habita em cada um, pois queiramos ou não, estamos interligados e somos todos um, estejamos onde estivermos...    

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