O caminho espiritual verdadeiro exige um tanto de
concentração e atenção para observar no dia a dia, em pequenos sinais, e nas
nossas relações, os indicadores de que alguma coisa pode ser modificada ou
melhorada em nossa maneira de agir. Quando alguma coisa dá
errada, e tudo toma um rumo que não esperávamos, e nos entristecemos, é hora de
olhar para trás e identificar que atitudes geraram o que aconteceu.
Muitas vezes a nossa falta de comunicação gera um não
entendimento das nossas atitudes. Ninguém é obrigado a pensar igual, mas
infelizmente ainda precisamos verbalizar as nossas intenções e a realidade do
que vivemos, pois não chegamos ao grau da telepatia. Algumas vezes evitamos o
confronto de ideias mesmo sem saber o que esse encontro geraria. Assim evitamos
também o caminho do meio, que é o caminho do equilíbrio. Cabe lembrar que
intolerância e intransigência também geram intolerância e intransigência,
trazendo um desequilíbrio que desgasta a todos.
Sidarta Gauthama, o Buda, viveu um tempo distanciado das
misérias humanas, pois essas foram escondidas de suas vistas, para poupá-lo de
um crescimento espiritual que só se manifestou com o questionamento dessas
imperfeições através do sofrimento. Sofrer o que o outro sofre, mesmo não sendo
necessário, é o que nos torna humanos conscientes de nossas limitações. Então o
sofrimento pode nos mostrar o caminho do sábio, o caminho do meio.
Buda conheceu a riqueza em ilusão, e a extrema abnegação
através dos jejuns em nome da efetiva iluminação e em memória dos que passam
fome. Mas foi no caminho do meio, nem tanto mais nem tanto menos, que encontrou
as respostas que esperava e que hoje trazem luz a milhões de seguidores do
budismo como uma filosofia de vida.
Assim, não podemos nós pensarmos que encontraremos nossa
iluminação espiritual, ou ao menos uma clareza das ideias e do sentido da nossa
vida, em algum ritual de êxtase, ou ainda na negação de observar e compreender
a nossa realidade imediata, no aqui e agora, com as pessoas com quem convivemos
e que constroem junto conosco uma realidade.
Que sejamos sempre responsáveis com as realidades que
podemos construir, respeitando o sagrado que habita em cada um, pois queiramos
ou não, estamos interligados e somos todos um, estejamos onde
estivermos...
