"Quando o português chegou debaixo duma bruta chuva vestiu o índio! Fosse uma manhã de sol o índio tinha despido o português." (Oswald de Andrade)
O pajé kariri xocó Tchydjo tocou nossos corações de várias maneiras, em sua visita aos pampas... a mim, em especial, tocaram-me suas palavras quando se referia ao sofrimento de seu povo, nas lutas pelas terras que lhes foram tomadas... ele disse: _”Não vamos falar de passado, por que quando se fala em passado a gente sofre duas vezes...” Mais adiante, perguntei a ele que mensagem teria para esse povo que vive no Rio Grande do Sul, que se tornou a terra com que mais se identificou em suas andanças dentro e fora do Brasil. Ele nos disse que deveríamos pegar, na linguagem dele, um floco, ou uma pequena parcela, por menor que fosse, da energia que ele prevê em movimento de evolução nesse tempo que já é futuro se apresentando, e que de mãos dadas com os ensinamentos mais simples viver o mundo espiritual no sentido de união que vem para a Nova Terra. No mesmo sentido talvez com que organizam e ordenam em torno de quatro mil pessoas da reserva a qual pertencem com apenas um cacique, um pajé e nove guardiões...
O pajé disse que costumam assar os alimentos por vários motivos, mas o mais doce de todos ele contou em off para o nosso amigo Lucas: eles não cozinham os alimentos para não fazer a água sofrer...
Em roda de cura com os buscadores que sentiram o chamado da mãe Terra, a prática se fez presente da mesma maneira que usamos mantras e decretos milenares... danças e cantos feitos em um ritmo crescente, como parece crescente a força física desse ser tão pequeno e tão grande...
Na tribo Kariri-Xocó, como o nome mesmo diz, duas etnias foram misturadas, tendo dois caciques e dois pajés, na liderança política e espiritual do grupo. Todos são exímios cantores e dançarinos do Toré, da criança de cinco anos, aos velhos do conselho de 90 à 100 anos, assim como curandeiros e especialistas na cura de ervas.
No final da década de 80, o pajé Júlio Suirá, preparado pelo antigo Cacique, recebeu uma mensagem que esse ritual deveria ser aberto aos não-índios, que as pessoas teriam direito de conhecer esse segredo milenar da humanidade. Então, alguns índios mestres de cantos e danças, como Tchydjo e sua família saíram pelo mundo mostrando apresentações de Toré. Aqueles cantos milenares, o bater do pé no chão acompanhado pela maracá, juntamente com as vestimentas e a força sentida energeticamente são encantadores a quaisquer olhos.
O Pajé participou da II Semana Inter-Cultural e Religiosa da cidade de Bagé a convite do Coordenador dos Direitos Humanos Prefeitura Municipal, Márcio Garcia.
Dia 21 de Novembro as 19:30h, no IMBA o Pajé realizou uma palestra abordando a Cultura Indigena Kariri-Xocó, Cura Nativa, Direitos Humanos e Desenvolvimento Sustentável.
Já no dia 22 de Novembro ás 20h, no Sítio Santa Sara em São Martin, o Pajé Tchydjo, realizou uma Roda de Cura Nativa com a Dança do Toré e a força do Chocalho ao Vento, para o equilíbrio energético, Físico, Mental, Emocional e Espíritual.
domingo, 27 de novembro de 2011
OS ELEMENTOS EM NÓS...
Sobre como a natureza se manifesta, orientais e ocidentais em sua sabedoria milenar divergem em alguns pontos. Mas é ponto comum a energia primordial de quatro elementos: fogo, ar, água e terra. Pela simbologia do número quatro, que nos remete às formas perfeitas e organizadas do quadrado, situamo-nos através dos quatro pontos cardeais e do ciclo das quatro estações. Uma analogia é feita entre essas estações, as direções e os elementos. Assim é trabalhada a roda de cura, que pressupõe a passagem constante por todas as etapas desse ciclo, trabalhando os elementos e seus significados. Se começarmos com a direção leste, nos conectamos com o elemento fogo, através da chama sagrada e constante que habita o nosso coração pela fé, não necessariamente a fé religiosa. Essa conexão é espiritual. Aí é o portal da criatividade, do fogo que anima nosso espírito, presente no calor de nosso corpo. Passamos então á direção norte e ao elemento ar, que nos conecta ao plano mental e a todas as atividades desse plano, expressas através do pensamento, que unido à vontade vai gerar a ação. Está presente em nosso corpo através da respiração. Continuando em nosso caminho pelas direções, chegamos ao oeste, portal da água, da ligação com nossa ancestralidade, nossas emoções, nossa introspecção. Em nosso corpo há de 70 a 80% de água, que pode manter-se harmônica conforme nossas emoções estejam equilibradas ou não. Finalizamos esse ciclo para começar novamente, passando então pelo portal do sul, que traz o elemento Terra, estabelecendo nossa conexão com o planeta, nossa infância, todas as curas possíveis estão aqui, através da gama infinita de remédios que a mãe natureza nos oferece. Paralelamente a todas essas direções, encontram- se as direções acima, abaixo e “entre”. Acima nos conectamos com todos os astros e seres espirituais de alta vibração, Abaixo nos conectamos com o núcleo de cristal do centro da Terra, onde pulsa o coração desse ser que chamamos Gaia. As conexões que acontecem entre nós lembram todas as relações que norteiam nossa comunicação com as pessoas que nos cercam, seja família, parceiros, amigos, colegas, conhecidos...
Apenas nessa análise das direções podemos perceber a existência de pelo menos sete dimensões do ser, que também conectam-se com nossos sete chacras principais, centros de captação e emissão de energia. Através dos elementos podemos auxiliar em nossos processos de cura, entendendo melhor o que nosso próprio médico interior quer nos ensinar. Só precisamos estar atentos.
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