terça-feira, 17 de abril de 2012
outono...
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda
Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza.
Nietzsche
OUTONO...
Introspecção e força são as chaves para o aprendizado que a Mãe Natureza traz com essa estação que nos ensina a esvaziar espaços para que o novo venha a se manifestar. Como as folhas mudam de cor e caem, também nós somos convidados a deixar ir o que já não nos serve mais... Entre as emoções que podemos deixar ir, certamente a primeira é qualquer mágoa que ainda teime em fortalecer ressentimentos e tristezas... Por isso outono também é tempo de perdoar. Silêncio e recolhimento são as prerrogativas para realizar esse trabalho de auto conhecimento. A conexão com a ancestralidade nos lembra os mistérios da vida e da morte. Somos o resultado dos caminhos de milhares de pessoas que influenciaram nossa aparência física, nosso comportamento atual, nosso inconsciente, nossa energia, nossas escolhas, medos, sonhos, impulsos,crenças e inspirações. Para honrar nossos ancestrais precisamos perdoá-los, curando energias ancestrais como culpa, ódio, rejeição, raiva, negação... liberando o padrão familiar negativo.
Complementando esse ritual de limpeza, contemplarmos nossas dualidades. As alegrias e as tristezas, forças e fraquezas, medos e amores. Liberamos nossos sofrimentos antigos, para curar feridas antigas, aprendendo o equilíbrio entre olhar para dentro e agir para fora. Nosso interior é o lugar para tornar conscientes os verdadeiros propósitos de nossas vidas. Nesse trabalho, pedimos auxílio a nossa Mãe Terra:
Terra, Ensina-me a Lembrar
Terra, ensina-me a quietude,
como a relva é silenciada pela luz.
Terra, ensina-me a sofrer,
como as velhas pedras sofrem com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade,
como as flores são humildes em seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar,
como a mãe que envolve seu bebê.
Terra, ensina-me a coragem,
como árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação,
como a formiga que rasteja no solo.
Terra, ensina-me a liberdade,
como a águia que paira no céu,
Terra, ensina-me a resignação,
como as folhas que morrem no outono.
Terra, ensina-me a regeneração,
como a semente que brota na primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo,
como a neve que derrete esquece sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar da bondade,
como os campos áridos choram com a chuva
Assim, meditando no Calendário Sagrado, na responsabilidade que assumimos com a transformação de nossas próprias vidas, nos preparamos para mais uma jornada de transformação que não tem fim e se renova à cada estação
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