Quando hoje falamos em velhos padrões que não servem mais ao nosso modo de viver, claramente nos referimos ao modo como geralmente vemos a natureza e nossas relações. Essa dissociação que fazemos, como se tudo que acontece com cada um de nós não interferisse no destino do outro, como se cada ato e até pensamentos não tivessem o poder de irradiar suas conseqüências infinitamente, como se não nos interpenetrássemos através de nossos corpos sutis, como se cada pequena planta ou inseto não tivesse em seu código genético os ensinamentos que ficamos doentes a procurar...
Quando colocamos nossas esperanças no momento de transição por que passa o planeta Terra, com suas novas tendências de pensamento ecológico e igualitário, temos a certeza de que pode ainda parecer utópico, ilusório, talvez difícil mudar alguns pensamentos ainda arraigados no consumismo e no individualismo. Mas no planeta inteiro pessoas se reúnem em comunidades, vivendo um novo momento de comunhão grupal e com a natureza, em que as especificidades e os valores de cada um são respeitados, com a devida contribuição que cada ser vivo tem a dar para a vida valorizada em seu aspecto sagrado. No planeta inteiro grupos de milhares de pessoas estão unidos em um pensamento de cura para a nossa mãe Gaia, e para nós mesmos, enquanto seres conectados. No mundo inteiro pessoas descobrem e põem em prática modos de viver em comunhão com a Terra, respeitando e conhecendo, respeitando e produzindo de maneira sustentável e equilibrada. No mundo inteiro almas corajosas levantam sua voz contra o totalitarismo, e com a rede conectada as barbáries não ficam mais em segredo, todo sacrifício é motivo para a mudança e a mobilização.
Hoje dizemos que um novo mundo é possível, e ele já existe dentro de nosso coração, em nossas intenções, nossa vontade. E esse é o princípio para a construção do que desejamos e seja justo para todos, sob o ângulo de que todos somos um. Todas as mudanças que trouxeram evolução para a humanidade foram um dia um sonho, ideia louca de visionários anônimos ou não. Assim os negros deixaram de ser escravos, mulheres e índios recuperaram suas almas, e ditadores e leis violentas caíram... E assim descobriremos gradativamente que nosso pensamento, as emanações energéticas de nossas mãos, nossas palavras e canções, nossa medicina de plantas, nossa biblioteca da floresta, tem o poder de curar. Assim descobriremos que tudo que fazemos nessa vida, a cada ser vivo, seja humano, planta ou animal, é como fazermos a nós mesmos, pois não estamos separados, a separação é mera ilusão do nosso olhar... Assim descobriremos também que nada morre, que nossos amados que não estão presentes fisicamente também vivem, assim como nossa mãe Terra também respira e pulsa, ansiosa pelo momento em que todos compreenderemos que estamos vivos com ela. Assim como a memória, a sabedoria e a cura da vida estão presentes em cada pedra, em cada grão de areia, no prana de cada respiração, em cada gota de água. No trepidar inebriante do fogo, no brilho das estrelas na noite, em cada nova alma que vem experienciar na Terra o doce e sagrado mistério da vida ...
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